sexta-feira, 17 de junho de 2011

O AMOR


É tudo e não é nada
É uma simples cena que fica; é um furacão
É o retrato inerte e morto na parede
É o mesmo crepúsculo que ilumina e cega
É a beleza translúcida e ilusória de uma bolha de sabão

É a trepadeira que dá vida à parede morta
É a carícia ingênua da libélula no corpo do tubarão
É o norte, é o sul e o desnorteio; é a contramão
É a cumplicidade plena ou dissimulada
É a alegria, o medo, a verdade e o desespero do sim ou do não

É o estado de graça, pleno e absoluto
Á o próprio amor semeado ao vento
É a nudez de si à cobrir a do outro
É se despir na chuva ou no sol
É ficar na escuridão, ao luar ou ao relento

O amor é, enfim, fraquejar e ser forte
E permanecer nobre ou ser mecenas
É amar sofrendo e sem sofrer liberar o outro
É compreender sua própria dor e do outro
É, simplesmente, amar a cena!
                                               Polibio Hélio Lago

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