terça-feira, 31 de maio de 2011

C A M P O S D O J O R D Ã O VIDA E MORTE!


O vento frio de 2’º que tomava conta do meu corpo
Sem licença o invadia à sua própria sorte
Triturando minha carne como faca afiada
Dissolvendo a gordura de proteção aos ossos à minha própria morte!

A minha dor, tal qual a desesperança, era insustentável e contínua
Não mais tinha forças à desfrutar a beleza reluzida de Campos do Jordão
Ela, ao contrário de mim, posto que solitário e quase sem vida
Inerte e distante do meu amor para aquecer meu coração

Não tinha mais alegria e esperança de vida
E tampouco percebia a beleza, as nuances e as cores que ela tem
Sem forças, sem fé na vida e sem brilhos nos olhos
Não acreditava em sobrevida, em nada e em mais ninguém

Pouco a pouco os gestos e carinhos cálidos de Laércio, Cláudia e Monique
Recobraram-me os sentidos da vida para que eu pressinta
Que eles são preciosos, ternos e eternos amigos e têm razão:
“A vida tem a cor que você pinta”
                                                                Polibio Hélio Lago

segunda-feira, 30 de maio de 2011

MULHER


Mulher é água, e é igual
Seduz, alimenta e mata
E demole também
Faz o que quer
E é e não é
Quem sabe? Ninguém sabe!
Quando nada mais pode fazer
Para maltratá-lo, escondê-lo ou amá-lo
Da forma que mais lhe aprouver
O encobre
Pois, és pedra!
(Fui lavar o rosto, lavei minh’alma)
Polibio Hélio Lago

SOLIDÃO


                        Acaso eu ganisse de dor
                        Insólito bradando minha solidão
                        Ainda assim clamaria por vida
                        Buscando seiva pro meu coração

                        Decerto existe a solidão
                        Incrível! ela é nunca por inteiro
                        Por isso ela esfomeada de amor
                        Galopeia em busca dum companheiro

                        Assim a solidão é dual
                        Mas não esganiça a esmo
                        De qualquer sorte, a pior solidão
                        É a solidão de si mesmo

                        Invista, portanto, na vida e no amor
                        Ame-se e doe-se por inteiro
                        Despreze a solidão de si mesmo
                        E seja feliz de Janeiro a Janeiro
                                                           Polibio  Hélio Lago

FORRÓ DO BETHOVEM


“Minha gente! esse tal de Bethovem!
È um danado!
Quando ele toca um forró
Todo mundo fica excitado”


Anteontem estava em minha casa sossegado
Quando Bethovem mandou me chamar
Pra dizer que sua orquestra estava pronta
Pra tocar pro povo todo dançar

Emocionado fui ao encontro do Bethovem
Sinfonias ele tocava e de repente tive um nó
Quando Bethovem disse que era nordestino
E por isso ia tocar um forró

O primeiro convidado foi o Bento
O segundo o bispo da igreja universal
Quando Bethovem começou o forró
A alegria do povo foi geral

Dançavam gente nova com velhinhas
E dançavam velhinhos com gente jovem também
Era um roça-roça gostoso e excitante
Pra dançar esse tal de XEN EN EN

Veio gente do Vaticano e todo o clero, do Brasil inteiro, das Américas, Europa e África
Envolvidos pela sinfonia do forró bethoviano veio até gente da Ásia também
Era uma excitação geral desse povo todo
Dançando o forró do XEN EN EN

Era a sexta sinfonia do Bethovem
Que tocava a noite inteira até o por do sol
Dando e trazendo alegria
Sob a forma clássica do forró

Havia brilho em todos os olhares
Houve milagres quem não enxergava agora vê e todos os surdos agora ouvem
Lá todos agora cantam e dançam
E só se fala no forró do Bethovem
         Polibio Hélio Lago

MALHAÇÃO DE ANALHA


Malha-se com malha
E malha-se com Analha também
Tem gente que malha só com Analha
Mas, cada um, malha com a malha que tem

Com a malha de rede que dei à Analha
Analha malhou peixe na praia  do Flamengo
E malhou, outrosssim, nosso chamego
E depois com a malha  Analha acalentou nosso dengo

Hoje com a malha que Analha malhava
Malha-se apenas traição e iras
Serve-te de suporte e descanso
Para Analha sustentar tuas mentiras

E as falsas fibras da malha de Analha
Frágeis e traçadas pelos seus próprios dedos
Decompor-se-ão  no seu tempo certo
No silencio das malhas dos teus segredos

A despeito da maligna propensão das malhas de Analha
Sem malhas, à Analha somente o bem te fiz
E não desejo qualquer mal a Analha
Ao contrário, que malhas e sejas feliz. 

Polibio Hélio Lago
SSA,14/9/2010

O CIRCO


O circo é redondo
E eu tenho nervos de aço.
Às vezes sou cidadão
E às vezes me tornam palhaço.

Ando no arame e na corda bamba
Faço mágicas, malabares e tudo mais nessa vida
Tenho buscado muitas entradas
Não tenho mais outra saída

Quem ainda não foi, por certo, um dia será
Palhaço sem circo ou em qualquer companhia
 Eis que pra viver bem nessa vida
É preciso fazer muita acrobacia

Enfim, todo palhaço é ator
 E ambos sobrevivem em anfiteatro
Ás vezes ambos ficam de pé
Outras vezes vos deixam de quatro

Assim vivemos  todos nós nessa vida
Com medos, alegrias, dores e insatisfação
Portanto, necessitamos todos dessa magia circense
Certos de que a vida é uma ilusão

Afinal a vida se iguala a um circo
Uma ilusão real, de verdade
Então, vivamos a magia do circo
Para sermos felizes de verdade
              Polibio Hélio Lago

TEMPO


    Anteontem, é, exatamente anteontem, meus cabelos eram e estavam vibrantes, negros, lindos e ondulados do tipo “maracanã” (daqueles que muitos homens da época comentavam ou sonhavam tê-los e as mulheres admiravam).
     Todos, com raríssimas exceções, admiravam, ele e eu, especialmente as moiçolas da época com as cobiças naturais e corriqueiras.
     Não me cansava de olhar-me no primeiro espelho magicamente surgido à minha frente tal qual Narciso se espelhava na água.
     Minhas mãos, creio, se aproximavam da perfeição e se harmonizavam no meu corpo com meus pés e com as minhas coxas grossas e bem torneadas pelos exercícios atléticos que esporeava ludicamente.
     Era eu, como tantos outros mortais detentores desses atributos – sem cabotismo algum ou meias verdades  -  cobiçado por tantas...!.....!tantas........!e tantas......!não sei das quantas .......!
     Ontem, é.........!, ontem.... as coisas mudaram. Meus cabelos esbranquiçaram, minhas mãos sinalizaram as primeiras rugas, minhas pernas já não tinham mais as mesmas firmezas e torneamento de anteontem.
      Hoje quase ninguém nota mais a minha presença. Ninguém mais me olha ou me vê, onde quer que eu esteja, exceto, as poucas exceções de meus dependentes e alguns circunstantes do meu dia-a-dia. As primeiras, quiçá pela dependência disso ou daquilo, cuja independência, de algum modo, vislumbram rapidamente; a segunda porque não há como disfarçar os olhos de mera curiosidade.
     O esquecimento é geral, indisfarçável, cristalino, translúcido, inegável, firme e verdadeiro.
      E hoje......! É.....! Hoje estou velho, muito velho e não há tintura alguma que possa sabotar ou disfarçar os meus cabelos brancos e a minha vetustez, até porque as rugas que – sem pedir licença alguma – invadiram o meu corpo, cujas pregas, norteando-o vão do meu rosto ao meu peito, passando pela minha barriga, coxas, em direção aos meus pés, realçando e evidenciando todo esse vinco de pele dobrada.
     Estou velho, assumo, muito velho pela faina do tempo. Não detenho mais os mesmos atributos físicos de ontem, menos ainda os de anteontem, sobretudo os externos, a libido inclusive.
     Ah...........! Resta-me apenas no meu corpo físico – do que as rugas não foram capazes de alcançar – o meu coração, é....! o meu coração que permanece intacto, incólume, como se tivesse nascido hoje, aqui, agora que, no tempo, ainda em tempo, dentro do tempo e na parábola do tempo, vos passo as mãos para que, no tempo que é concedido a cada um de nós, possais dar a ele o destino que mais lhe aprouver, tempestivamente.

                                                         Salvador, 01 de maio de 2011
                  Polibio Hélio Lago