sexta-feira, 17 de junho de 2011

PECADO DE CRIANÇA


À primeira vista porque nus e sensuais
Rumei meus olhos aos seios dela
Que se encontrava sentada sozinha no banco traseiro do carro
Com seu motorista, icógnito!
Eram lindos tal qual ela e a criança
Que, repentinamente, surgiu, passando a sugar-lhe os seios
De dar inveja a uma criança qualquer, como eu
Que, cegamente desprotegido, antecipei-me à criança - que não via – com tal desejo
E foi um lindo pecado
Um pecado perdoado
Porque foi um pecado de criança ingênua
Desejando o indesejado

                                         Polibio Hélio Lago
                                    SSA, 12/5/2008

O REI VIRGEM


Oh! Rei!


Quizera eu – ser como tu – ter nascido e permanecer virgem
Em pleno agosto com teu lirismo vasto
Capaz de encantar as mais formosas mulheres
Enamorá-las, porém, conservar-se, incólume e casto

Disso, contudo, o destino não me privilegiou
Porém, presenteou-me com o manto do teu abrigo
Deu-me a honra, alegria e privilégio maior
De ser, deste Rei, um amigo

Um Rei que se expõe e põe
Amorosamente, tuas idéias à frente do teu sentimento
Preenchendo com elas nossos corações de alegria
Sedimentando, assim, contentamento

Assim, és Rei pela força, sabedoria e fé
Também pelo encantamento da vida que provoca vertigem
És Rei porque a natureza assim o dotou
E és Rei porque és puro e és virgem

                                                        Polibio Hélio Lago
                                                         SSA, 30/8/2010

P A I


Nunca é demais falar do pai e para o pai, em qualquer tempo, sobretudo na semana precedente ao dia dos pais e sobretudo quando somos filhos porque...........´

O Caminho é o Mesmo
Proclama o evangelho que ninguém vai ao pai senão pelo filho e solenemente estabelece a premissa de que “peça ao filho que o pai atende.”
Essa conclamação evangelista e provocativa nos dá a oportunidade de refletir, pensar, ver e sentir como o Criador foi generoso e bondoso com os homens aqui na terra nessa questão respeitante ao pai (entenda homem aqui no sentido lato homem/mulher enquanto ser).
No caso específico do homem no sentido estrito e que seja pai são diversos os tipos: os ausentes, os presentes, os durões e inflexíveis, os flexíveis, enfim uma infinidade de tipos de pais de acordo com a natureza humana.
Neste momento, não importa, aqui e agora, que tipo de pai você é e sim o tipo de pai que você quer ser. A escolha é sua.
Ora, não importa nem mesmo se você, por isso ou por aquilo, não teve ou não tem um pai, isto porque o Criador lhe deu tanto neste dia, quanto em qualquer outro da sua vida, a oportunidade de ser pai e da forma que mais lhe aprouver. E isto vale tanto para o pai, quanto para o filho. Afinal de contas;  todas as coisas que existem neste planeta divino e abençoado renovam-se a cada dia, como está escrito e claro no belo texto de Eclesiastes 3.15 quando o autor professa:

“O que é já foi, e o que há de ser, também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou.”
Em síntese: “O caminho para cima e para baixo é um único e o mesmo caminho.” (Heráclito)
Assim é o caminho entre um pai e um filho: O mesmo.

Polibio Hélio Lago
SSA, Agosto/2008

SONHO PALACIAL DAS QUATROS ESTAÇÕES


Sonhei banhando contigo na praia no verão
E que, assim, vivíamos desde a primeira era
E permanecia dormindo contigo todo verão
Repentinamente, acordei, era a primavera

E que tudo, tudo, tudo se renovava
As flores, os frutos eram de todos, não havia dono
Foi um sonho, era belo, acordei!
Já estava no outono

E reluziam a lua e o sol
Deixando todo amor suave, meigo e terno
Foi um sonho lindo e delirante
Acordei! era o inverno

Sonhei, afinal, morando no jardim do teu palácio encantado
E que eras a rosa e eu o teu cravo
Acordei! foi um sonho
Realmente, és a rainha, sou teu escravo

                                                           Polibio Hélio Lago
                                                                   SSA, 15/9/2010

MUTAÇÃO


A luz frouxa que guarnecia o ambiente
Timidamente, permitia-me olhar sem receios
Pela fresta de sua blusa entre os botões
A beleza da sombra que desenhava os teus seios

Eu, sem mentir, não nego
Sóbrio, mirava teus olhos sem espanto
Passeando pela íris dos teus olhos e corpo inteiro
Via e sentia o prazer deles, que encanto!

E mais! A sinuosidade do teu corpo
Levava-me as nuvens como se tivesse asas
Deixando-me perplexo e firme
Acendendo e transformando meu corpo em brasas

De mente e olhos abertos ficava em brasas
Ao fechá-los ficava no chão
Insólito não via e sentia mais nada
Eis que a brasas se transformavam em carvão

Vi, assim, em condão tua alma a brilhar
E teu corpo sorrir e reluzir sem alarde
É, saga da vida acontece
És formosa, sou um covarde!

Polibio Hélio Lago
                                                     SSA, 15/9/2010

DUALIDADE


Você colocou a mão em meu peito
E alimentou meu coração
Encheu e transbordou meu prato
Com uma sopa de ilusão

Alimentou-se do sumo de minha seiva amorosa
Fez –se bela e figura rara
Realmente, não nego, é bonita
Mas é muito ordinária

Você tem talhe grande e belo
Parece flor de araucária
Tem formosura e porte de mulher bonita
Mas é muito ordinária

É silente e imprevisível
Dissimulada, não sei, é arbitraria
Não divide suas virtudes com ninguém
Assim, é muito ordinária

Revejo, quiçá você tenha vindo de mercúrio, marte ou Vênus
Ou seja até mesmo uma ária
E encerre a própria dualidade
É bela, formosa, ordinária e extraordinária.
                         Polibio Hélio Lago

O AMOR


É tudo e não é nada
É uma simples cena que fica; é um furacão
É o retrato inerte e morto na parede
É o mesmo crepúsculo que ilumina e cega
É a beleza translúcida e ilusória de uma bolha de sabão

É a trepadeira que dá vida à parede morta
É a carícia ingênua da libélula no corpo do tubarão
É o norte, é o sul e o desnorteio; é a contramão
É a cumplicidade plena ou dissimulada
É a alegria, o medo, a verdade e o desespero do sim ou do não

É o estado de graça, pleno e absoluto
Á o próprio amor semeado ao vento
É a nudez de si à cobrir a do outro
É se despir na chuva ou no sol
É ficar na escuridão, ao luar ou ao relento

O amor é, enfim, fraquejar e ser forte
E permanecer nobre ou ser mecenas
É amar sofrendo e sem sofrer liberar o outro
É compreender sua própria dor e do outro
É, simplesmente, amar a cena!
                                               Polibio Hélio Lago

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ENALTECENDO A MORTE


                                    Haja o que for e houver
                                   A vida é dádiva divina, seja qual for a tua sorte
                                   Diversos são teus caminhos
                                   Teu desaguadouro é um só! a morte

                                   Então, por que não ser dela teu amigo ?
                                   Certo daquele encontro fatal
                                   Amando, abraçando e contemplando a vida
                                   De modo incondicional ?

                                   Assim, acolha teu amigo e o inimigo
                                   Doe-se e entregue-se à pessoa amada
                                   Não deixe para o último instante
                                   Antes que não lhe reste mais nada

                                   Esqueça teu orgulho e qualquer odiosidade
                                   E tire a máscara da vaidade
                                   Assim, a vida e a morte se harmonizam
                                   E viverás de verdade

                                   Então viva, intensamente, a vida
                                   Não espere por um golpe de sorte
                                   Ame-a, incessantemente, cada segundo
                                   Eis que a vida é fronteira da morte.
                                                                  Polibio Hélio Lago

A I U R U O C A




Encontrar Aiuruoca é redescobrir a vida!
Caminhar nela é tentar parar o tempo
Ver suas montanhas e vales é sentir a presença do Criador em cada um de nós
Amar em Aiuruoca é eternizar a vida!
Polibio Hélio Lago