segunda-feira, 18 de julho de 2011

A POSITIVIDADE E A NEGATIVIDADE EM CONTO


        A positividade e a negatividade são faces da mesma moeda. Elas estão de mãos dadas, portanto, cuidado para não segurar nas mãos erradas.
       Nessa última viagem que fiz a Brasília tive, dentre outras, duas oportunidades de vivenciar, pessoalmente, isso. A primeira foi na noite de 17 de abril p.passada por volta das 22:00 horas quando acabara de chegar ao hotel em que estava hospedado (hotel 3 estrelas) e ao entrar no elevador saia uma mulher loira de aparência virtuosa que me cumprimentou com um boa noite o qual, de pronto, respondi, educadamente.  Nada mais.
       Passado cerca de 30 minutos recebi pelo telefone do hotel um telefonema de uma mulher de voz macia e carinhosa – que a princípio pensei ser a minha própria mulher – dizendo “oi’.
       Fração de segundos, sobrepairou-me dúvida quem me telefonava e fiz uma pergunta solta no intuito precípuo de saber, efetivamente, que era a pessoa que me interceptava pelo telefone e disse: Onde você está ?
       Respondeu-me a pessoa: aqui em baixo.  Você quer que eu suba?
       Fingindo Ingenuidade, conscientemente,  fiz outra pergunta? Para fazer o que?
       Respondeu-me ela: “Pra ficar com você.”
       Incontinenti, fiz outra pergunta: quanto você cobra por isso?
       Respondeu ela: R$150,00 (cento e cinqüenta reais).
       Desinteressado dessa premissa negativa ofertei à linda e sedutora prostituta impertinente os meus serviços dizendo-lhe: Eu sou advogado e estou numa fase literária exuberante e posso lhe auxiliar de outra forma melhor.
       Perguntou-me ela, como?
       Você me paga R$500,00 (quinhentos reais) antecipados eu permito que você suba até o apartamento onde me encontro. Ouvirei a sua história de vida e juntos vamos lançar um livro que, certamente, será um sucesso, sobretudo para o leitor que gosta de contos e histórias na primeira pessoa do singular ou do plural.
        Avancei o diálogo e disse: Não será uma história de sexo, mas de amor entre um homem e uma mulher, no plural. Eu e você.
       Que tal, perguntei-lhe?
        Ela permaneceu por alguns segundos em silêncio absoluto, seguido de sussurros de sorrisos, certamente, pálidos e respondeu-me: “anote meu celular, te ligo depois”
         E nunca mais!
         Embora saiba, perfeitamente, que a prostituição e o comércio sejam as profissões mais antigas do mundo, confesso que tive medo por algum tempo. E ainda estou a meditar.
          Pensei cá com meus botões: poderia ser uma noite de luxúria, porque a loira era interessante e se fosse uma atriz seria capaz de enganar qualquer homem coadjuvante e predisposto a uma aventura qualquer, poderia ser um seqüestro relâmpago ou encomendado ou até mesmo a minha própria morte. Se bem que morri e viver por alguns minutos.
           O difícil aqui é saber não a razão, mas onde está a culpa. Talvez no dono ou gerente do hotel que permite, por isso ou por aquilo, que fatos dessa gravidade ocorra nas suas imediações daquele hotel, principalmente, no fornecedor de dados das pessoas que lá se hospedam e que poderia ser você, seu irmão, seu pai, sua mãe ou até mesmo seu avô.
           O certo é que o hotel estava lotado de centenas de advogados, outros profissionais e empresários do Brasil inteiro com interesses diversos, sobretudo nesse período vesperal do aniversário de Brasília e exatamente eu fui premiado com essa dualidade da positividade e negativa que não quis e não pude dar a mão e, muito menos, o meu coração.
            Gostaria de ter saído pelo vértice para que eu pudesse lavar minha própria alma e quiçá, daquela prostituta brasiliense que me permitiu viver esse momento solenemente sem sexo, mas por perto não havia água fluvial e o Lago Paranoá estava muito distante. Por isso não saí pelo vértice, mas, pela tangente.


              A segunda vivência foi mais simples, porém bem mais gratificante e exemplar.
               Francisco, advogado renomado, poeta de alto estilo e, acima de tudo isso, meu amigo pediu-me para tirar cópias de determinado processo num dos Tribunais Federais de Brasília, passando via E-mail as peças que se lhe interessava.
                Como não conseguir visualizar todas as peças tirei aquelas que julgava necessárias ao seu interesse profissional.
                 No outro dia ao abrir o E-mail percebi que estavam incompletas e como eu tinha diversos afazeres, pensei: Já tirei essas, o tempo está curto não vou retornar aquele Tribunal somente para complementar isso. Foi o meu lado sombra (negativo) falando alto.
               Por volta das 17:00 resolvi retornar ao Tribunal e ao chegar na entrada do Eg. Sodalício ouvi uma voz dizer: “Polibio......!”. Era uma ministra baiana, amiga de longos anos, que lá se encontrava e me fez esse festejo, levando-me até o seu pomposo gabinete, onde conversamos cerca de 25 minutos.
               Ao sair, perguntou-me ela: Polibio onde você vai?
               Respondi: No gabinete da ministra Regina.
               A conversa foi apenas esta. Não disse o que iria fazer lá.
               O gabinete da ministra baiana é no 9° andar, o da ministra Regina no 6º andar e o processo que haveria de tirar as cópias para o colega Francisco fica no 3º andar.
                Na véspera quando fui tirar as cópias de Francisco eu já havia estado no Gabinete da Ministra Regina para pedir a preferência de julgamento em determinado processo de interesse de nosso escritório que está conclusos e parado há mais 3(três) anos.
                 Chegando ao gabinete da ministra Regina, percebi que eu havia me equivocado porque as cópias do processo de Francisco era para serem tiradas em outro gabinete que fica no 3° andar.
                  Esse erro  nos foi altamente benéfico, pois ao chegar no 6º andar fui recebido pela assessora da Ministra Regina dizendo que a ministra baiana havia ligado para ela acerca da visita do seu amigo e colega baiano e que o julgamento do processo de meu interesse já havia sido designado para o dia 12 de maio p. vindouro (o lado positivo dos fatos).
                   Desci, fui ao 3º andar e tirei as cópias que Francisco necessitava.
                   Isso é o que chamamos de benção. E tal somente aconteceu porque eu conseguir vencer o meu lado mesquinho para servir plenamente o meu colega e amigo Francisco, cujas lições, amizade e solidariedade, hei de preservar.
                    Ficou uma lição. O servir é igual ao amor. Tem que ser pleno e incondicional.
                    
                                                          Polibio Hélio Lago

Um comentário:

  1. Dr. Políbio,

    O Sr e sua magnífica sensibilidade diante dos fatos corriqueiros do nosso cotidiano.
    Admiro muito esse seu olhar sobre a vida, e, mais ainda, essa alegria contagiante de viver sempre sorrindo.
    Parabéns pelo belo conto.

    Samara Couto

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